Na semana que passou, além de um incidente doméstico na casa de Putin (problemas com o cozinheiro, parece), andou o mundo alarmado com a saga de um submarino ao largo da Terra Nova, com cinco homens a bordo, um dos quais bilionário, trirrecordista do Guinness e morador no Dubai. Houve logo quem lembrasse que, poucos dias antes, naufragara um navio em pleno Mediterrâneo, um mar aparentemente mais calmo e mais civilizado, e que nesse navio seguiam não cinco mas 350 seres humanos, dos quais apenas 104 sobreviveram. Disse-se, a esse propósito, que as televisões e as rádios deram muito mais relevo aos cinco infelizes do Titan do que aos 350 não menos infelizes de uma embarcação cujo nome nem sequer se sabe. Entrevistada pela BBC, Priyamvada Gopal, professora de Estudos Pós-Coloniais em Cambridge, veio explicar essa aberrante disparidade de tratamento: os tripulantes do Titan tinham um nome e um rosto, eram 'heróis' potenciais ou reais, ao passo que dos migrantes do Mediterrâneo nada de nada se sabia, nem sequer o número de quantos morreram ou terão morrido na catástrofe. Por outro lado, a novela do Titan tinha os ingredientes todos de uma boa série de suspense, pois durante dias e horas havia a incerteza sobre se os viajantes se iriam salvar, ou não, ao passo que os paquistaneses, coitados, morreram sabe-se lá como e só foram notícia depois da tragédia acabada.
Francesa. Pensemos na arte a bordo, por exemplo. Diz-se que Mohammed bin Salman , o tirano que duplicou o número de execuções na Arábia Saudita , diz-se que MBS, dizíamos, tem no seu iate um quadro de Leonardo da Vinci, Salvator Mundi . Também o xeque Mansour bin Zayed al-Nahyan, antigo dono do Manchester City e vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos, tem centenas de obras de arte a bordo do seu iate, o Topaz, orçado em 350 milhões de libras.
Já em França, os Windsor convidariam 300 pessoas para o seu casamento: apareceram 16. Churchill, que sempre os apoiou, faltaria à boda, mandando o filho Randolph em sua representação.
Descrita como"um palácio branco erguido nas águas", L"Horizon deslumbrava pelo arrojo modernista das suas linhas, pela dimensão descomunal da piscina, pela proximidade ao mar .
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RivieraNa semana que passou, além de um incidente doméstico na casa de Putin (problemas com o cozinheiro, parece), andou o mundo alarmado com a saga de um submarino ao largo da Terra Nova, com cinco homens a bordo, um dos quais bilionário, trirrecordista do Guinness e morador no Dubai. Houve logo quem lembrasse que, poucos dias antes, naufragara um navio em pleno Mediterrâneo, um mar aparentemente mais calmo e mais civilizado, e que nesse navio seguiam não cinco mas 350 seres humanos, dos quais apenas 104 sobreviveram. Disse-se, a esse propósito, que as televisões e as rádios deram muito mais relevo aos cinco infelizes do Titan do que aos 350 não menos infelizes de uma embarcação cujo nome nem sequer se sabe. Entrevistada pela BBC, Priyamvada Gopal, professora de Estudos Pós-Coloniais em Cambridge, veio explicar essa aberrante disparidade de tratamento: os tripulantes do Titan tinham um nome e um rosto, eram 'heróis' potenciais ou reais, ao passo que dos migrantes do Mediterrâneo nada de nada se sabia, nem sequer o número de quantos morreram ou terão morrido na catástrofe. Por outro lado, a novela do Titan tinha os ingredientes todos de uma boa série de suspense, pois durante dias e horas havia a incerteza sobre se os viajantes se iriam salvar, ou não, ao passo que os paquistaneses, coitados, morreram sabe-se lá como e só foram notícia depois da tragédia acabada.
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